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Vinhos do Nordeste 'desafiam dogmas e ganham espaço', diz NYT
Com tecnologia e irrigação, o vale do São Francisco, no nordeste brasileiro, está se transformando em um “improvável” centro de produção de vinhos fora do eixo tradicional dos produtores, segundo relata reportagem publicada nesta terça-feira pelo diário americano The New York Times .
Segundo o jornal, vinicultores tradicionais vêm cada vez mais investindo na produção de vinhos de “nova latitude” em países em desenvolvimento, apostando principalmente no crescimento dos mercados consumidores internos.
“Ao fazer isso, essas companhias estão desafiando o dogma de séculos de que a vinicultura está relacionada ao 'terroir', a crença de que um vinho reflete a área onde as uvas são cultivadas, e a climas temperados”, diz a reportagem.
O New York Times observa que “os vinicultores de nova latitude ainda são relativamente desconhecidos comparados com as tradicionais forças européias como França, Alemanha, Itália, Espanha e Portugal, e ficam para trás até mesmo entre os chamados produtores do ‘Novo Mundo', como Argentina, Austrália, Chile, Nova Zelândia, África do Sul e Estados Unidos”.
"Ainda assim, o vinho está se tornando mais popular em países como Brasil, China e Índia por causa de uma crescente classe média e da publicidade sobre seus benefícios à saúde”, afirma o jornal.
A reportagem cita como exemplo os investimentos no Brasil feitos pela vinícola portuguesa Dão Sul, que comprou 5 mil acres no vale do São Francisco em 2003 e investiu US$ 4 milhões em maquinário ultra-moderno.
“Os 25 diferentes tipos de vinhos tintos, brancos e espumantes que a companhia produz já representam 15% de toda a produção da companhia”, relata o texto.
Segundo o jornal, “a decisão de investir no Brasil foi baseada em diversos fatores, incluindo a terra e a mão de obra baratas e técnicas avançadas de refrigeração”.
“Uma vantagem que a região compartilha com muitas das nações produtoras de vinhos de nova latitude é o sol por todo o ano. A região tem 12 horas de sol por dia, e em contraste com Bordeaux, que tem 12 horas de sol somente no verão, os céus estão sem nuvens 300 dias ao ano. Os vinicultores podem colher o ano todo, reduzindo assim consideravelmente seus custos de produção”, explica a reportagem. |