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Estrangeiros invadem as praias do Nordeste
Atualmente, temos cerca de 120 empreendimentos hoteleiros. Cerca de 40%, são controlados por estrangeiros. Temos muitos portugueses, escandinavos, espanhóis e alguns italianos. Recentemente, até argentinos têm vindo à cidade", disse Freitas.
As pinturas em cores vivas dos aviões que operam no Aeroporto Internacional de Natal comprovam a invasão européia. A cada semana, mais de uma dezena de companhias do Velho Continente pousa na capital potiguar. Empresas como a Air Luxor, Air Finland e My Travel chegam com aviões lotados de cidades como Amsterdã, Estocolmo, Helsinque e Oslo. Mas a Praia da Pipa não é apenas destino turístico para alguns dias. Muitos chegam a passar meses no Brasil.
"Vendemos um condomínio com oito casas próximo à vila. Sete foram compradas por europeus. Foram dois franceses, dois espanhóis, um português, outro italiano e um norueguês. A oitava casa ficou com um carioca", diz o empresário Dany Uren, sócio do empreendimento Villa Nativa. Detalhe: a única casa com dono brasileiro está alugada para duas norueguesas. As residências do condomínio têm 128 metros quadrados em dois pavimentos, que são dispostos como um loft.
Quando lançado, há cerca de dois anos, havia expectativa de vender cada casa por € 40 mil. Com o aumento do fluxo de turistas, as últimas unidades foram vendidas pelo dobro do preço.
Uren, que é descendente de poloneses e vive atualmente no Rio, diz que a segunda fase do condomínio está em pré-lançamento, e as casas terão preço inicial de €100 mil.
"Nesse período, também tivemos valorização do real ante o euro", frisa. De fato, a moeda européia teve depreciação no período. Em dois anos, o real registrou valorização superior a 35%. Nada comparável ao salto de 150% em 24 meses no preço das casas do condomínio. Preços em euro, inclusive, se tornaram praxe no emergente mercado imobiliário de Pipa. Para reforçar a idéia de que o preço das casas na praia ainda é competitivo, Uren lembra da história de um de seus clientes. "É o que eu digo. Não são pessoas ricas, milionárias, que estão na cidade. Um dos nossos compradores, espanhol, vendeu uma vaga de garagem no centro do Madri para comprar uma de nossas casas. É basicamente a classe média européia", diz.
Para o empresário, um detalhe explica parte do interesse dos europeus pela região: o Rio Grande do Norte está a apenas seis horas de vôo da Europa. "Da minha casa no Leblon, no Rio, demoro cerca de cinco horas e meia para chegar à Pipa, entre o táxi, embarque e vôo. De Lisboa, são apenas seis horas até Natal".
"De olho nessa proximidade, muitos estão comprando uma segunda casa no Brasil. É como a casa de veraneio que os paulistas têm no litoral", diz o sócio da pousada Mirante de Pipa, Heitor Theberge, que trocou o Rio de Janeiro por Pipa há 15 anos.
"Parece piada, mas às vezes alguns se perguntam se estão mesmo no Brasil, porque a nossa vila vive cheia de estrangeiros. Um restaurante, em tom de brincadeira, chegou a colocar uma placa –‘Aqui falamos português'", comenta. Theberge, um dos pioneiros na praia, demonstra certa preocupação com a vinda maciça de estrangeiros. "O perigo começa a aparecer quando empresários passam a olhar apenas para o lucro e deixam de prestar atenção na qualidade de vida da região. Os investimentos grandiosos não costumam ter preocupação com a Natureza. Isso é preocupante.
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